Queridas
pessoas interessadas em refletir sobre temas diversos da Psicologia,
sejam bem vindas, me sinto a vontade em escrever para todos. Minha
formação me dá essa sensação de responsabilidade por cada
palavra escrita ou dita em palestras e encontros informais.
Responsabilidade é pouco para nós que lidamos e tratamos e
acompanhamos gente em suas angústias, dores e dissabores da vida.
Mas com a teoria e a prática vinculadas e a automatização do
raciocínio clínico todo o contexto torna-se mais viável para o
profissional competente.
Tenho acompanhado (2011) a angustia de alunos em término de curso de
Psicologia e que não sabem o que fazer no pós formado e eu estou
aqui para me disponibilizar a falar um pouco disso. Afinal precisamos
e muito de profissionais de Psicologia bem informados o que é mais
que bem formados.
Sair da Universidade sem jamais ter participado de Congressos,
Simpósios e Grupos de Estudos de um modo geral e relacionados a área
de atuação é um pedaço da formação que terá que ser resgatado
no pós formado.
Tive a honra em dar supervisão para alguns alunos em final de curso
de duas respeitáveis Universidades, com filosofias diferentes, uma
estimulava a ida dos alunos fora dos muros da Universidade e tínhamos
ali estagiários mais reflexivos e com uma escuta mais afinada. O
segundo grupo de estudantes teve dificuldade em aceitar as
possibilidades do além Universidade e a rigidez na atuação também
aparecia com muita clareza. Tratar destes pontos para um Mestre
envolvido na Psicologia e sendo esta Psicologia a Psicologia da Saúde
é algo que fascina. Potencial todos os alunos e estagiários tem, no
entanto, mudar o olhar e ampliar a visão mexe com crenças postas
pela formação pessoal e isso faz com que o aluno/estagiário faça
a resistência da compreensão da amplitude do tema limitando também
o trabalho do Supervisor que ali não é um Autoritário mas doa o
conhecimento para reflexões e ajustes nos atendimentos pós
formação.
Vejam, não estou falando ainda de pós graduação. Falo sobre a pós
formação. Logo ali, terminando o quarto ano e seguindo no quinto
ano sem a menor idéia do que virá pela frente nos estágios
clínicos, organizacionais, educacionais, comunitários, da saúde e
hospitalares.
Pessoas queridas, quem se propõe ser uma Psicólogo, logo um
profissional da Saúde mental deve abrir a escuta e ampliar a
observação.
Me recordo de um trecho da minha experiência em salas de aula na
graduação que ministrava uma disciplina sobre processos grupais,
isso mesmo, ir até a Instituição e observar, olhar, perceber,
notar e uma instrução é que nada deveria ser dito além da parte
educada dos encontros com as pessoas da Instituição acolhedora e os
alunos graduandos não conseguiam perceber a importância de uma
disciplina que os colocava apenas, ou só, para observar. Esta minha
experiência seguiu e pude notar os alunos, aqueles mesmos, mais
amadurecidos e comentando a importância em observar os fenômenos
tais como se apresentam, que bom, deu tempo de amadurecer e olhar
para dentro. Isso mesmo, olhar para dentro, buscar-se, entender-se,
perceber-se nas suas próprias angustias e ansiedades é a base
fundamental para atender pessoas em consultório, em clínicas, em
escolas, em comunidades e outras demandas.
Para enriquecer meu trabalho, tive um grupo de graduandos que ofereci
saírem da Universidade e buscar várias situações em que seres
humanos estão, pedi investigações sutis, tiveram coisas muito
enriquecedoras para quem apenas sabia gente na teoria, teve contato,
teve reconhecimento, teve observação, teve ampliação da escuta e
do olhar, teve envolvimento, e isso não tem valor acadêmico o valor
é interno é do profissional que você consistirá em você mesmo.
Já fez aquela básica pergunta: “Quem sou eu para querer me formar
para aliviar angustias e ansiedades? Conheço as minhas? Sei o que é
um quadro depressivo? E um estado depressivo? Sei qual o envolvimento
da família na relação do sujeito com o mundo, sei o que é mundo
interno e mundo externo que encontro com mais detalhes na teoria
psicanalítica de Pichòn-Riviere? Sei que é Pichòn-Riviere? Como
acolher a dor de alguém? O paciente vem com manual de instruções?
Posso anotar as questões do paciente na frente dele e quebrar a
celebração do encontro e a formação da relação? E esse tal de
conteúdo inconsciente? Personalizar os atendimentos é possível?
São tantas as questões que devem ser discutidas e que em um curso
de breves 5 anos não dá tempo, não por falta de competência dos
mestres e menos ainda dos alunos, mas porque a vida acelera e quando
imaginamos que já falamos sobre tudo vem e vida e nos conta muito
mais coisas.
Que Psicologia é essa que não forma pessoas que por exigência da
profissão não se acompanham em Psicoterapia pessoal e depois disso
não fazer supervisão nos primeiros anos de formados.
Pessoas, creio que, a questão da formação do profissional
Psicólogo é muita mais séria do que a formação e os breves cinco
anos daria conta, por isso e pelo amor e paixão que tenho pela
Psicologia me coloco a disposição para aquelas dúvidas iniciais e
aquelas perguntas que ninguém faz porque acha que todos tem a
resposta menos a pessoa que quer perguntar, prefiro um trabalho
honesto a dúvida eterna do erro. Temos pessoas em nossas mãos e em
nossos corações. Falar de Psicologia é falar de amor, de relação
humana, de atender alguém que talvez só possa contar com você e
você precisa ter disponibilidade interna completa e formada para
atender a estes queridos humanos com o seu humano no devido lugar:
formado, informado, psicoterapeutizado e supervisionado!
Sou a Profª Me. Márcia Chicareli
Costa
Supervisora Clínica e Mestre em
Psicologia da Saúde
Psicóloga e Psicoterapeuta
CRP.: 06/72.405
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